Um “Narciso” perto de você!

Você conhece a lenda de Narciso? Ela vem da mitologia grega e conta a história de um jovem tão belo, que quando viu sua imagem refletida no espelho do lago, apaixonou-se por si mesmo e permaneceu ali imóvel, até a morte.

Dramático?

Sim, dramático e real! A personalidade narcisista apaixona-se pelo “espelho” e transita ao nosso lado como “amigo”, colega de trabalho, familiar…

A loucura deste Transtorno de Personalidade é que ele se intitula “singular”, cheio de “talento” e “perfeito”, apresentando uma estrutura ego-sintônica e assim, sem abertura para mudança.

No parágrafo acima coloquei as palavras entre aspas, pois precisamos respeitar nossa singularidade, identificar nossos talentos e caminhar em busca da perfeição sabendo que nunca iremos atingi-la, mas estaremos num processo de melhoria contínua.

Por ser uma estrutura de pensamento ego-sintônico pode esquecer o conceito de feedback. Não perca seu tempo, pois estas pessoas “formam amizades e relacionamentos somente se vislumbrarem a possibilidade de que a outra pessoa vá ao encontro de seus objetivos ou de outro modo aumente sua auto-estima”. (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-IV)

Sim! Ao lado desta pessoa você terá a sensação de que foi “usado” e a ausência de empatia é mais uma característica identificada, pois comporta-se como um explorador em relacionamentos interpessoais, acreditando ser alvo da inveja alheia, afinal considera-se “especial”, “singular” e espera ser bajulado, reconhecido publicamente, exigindo uma admiração excessiva.

Assim como o Narciso da lenda grega, estas pessoas “morrem” diante de um espelho distorcido, que elas próprias criaram. Elas são de fato sedutoras, belas, interessantes, inteligentes… mas são humanas e falíveis. Negar isto é distorcer o espelho. Apropriar-se da “beleza” de outros, porque fazem parte de um grupo seleto, é distorcer a realidade. Viver fora da realidade é insanidade!

Você tem um “Narciso” perto de você?

Todos temos um pouco de “Narciso” dentro de nós?

Uma coisa, é identificar suas características pessoais, seus talentos únicos e se sujeitar ao aprimoramento que exige entusiasmo e persistência, tornando-se assim uma pessoa excelente.

Outra coisa, é com pouco esforço, apropriar-se de títulos que não são reais e criar um regimento de pessoas facilmente manipuláveis e medíocres que validam a imagem distorcida, criada pelo Transtorno Narcísico.

Como saber a diferença?

Olhe ao redor, colha informações sobre os relacionamentos interpessoais. Verifique se eles são superficiais, verifique a perenidade. Os “Narcísicos” encantam por um tempo efêmero, pois sua “beleza” é real, mas ao longo do tempo geram “morte” ao seu redor, pois relações verdadeiras sempre extraem de si mesmo e do outro o melhor.

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